quarta-feira, 26 de agosto de 2009

LUZ E SOMBRA


Todos nós fazemos parte de UM TODO. Esse TODO infunde tudo o que existe no Universo. Por isto mesmo, nós temos natureza e origem comuns – divina - que nos congrega, abraça e impulsiona. Porém, a nossa limitada consciência não pode apreender essa origem divina (esse TODO); ela pode apenas interpretá-la. Como diz Jean-Yves Leloup, o homem está condenado a interpretar o Universo, e aí reside o seu Livre Arbítrio. E, quanto mais consciência ele tiver da relatividade de suas afirmações, menos perigoso ele será para si mesmo e para os outros. Quanto mais “certeza” ele tiver dessa interpretação, maior fanatismo ele terá em suas palavras e atos, e, conseqüentemente, mais ele condenará aqueles que não comungarem de suas crenças. Poderíamos, como sugerem Jerry e Esther Ricks, comparar o Universo a uma cozinha com uma imensa despensa. Se a pessoa deseja fazer uma torta de maçã, buscará e achará maçãs, canela, açúcar e os demais ingredientes necessários para a mesma. Algumas pessoas fazem essa torta e ficam tão contentes com a mesma, que não conseguirão ver sentido em que outras pessoas procurem na despensa, por exemplo, um molho de pimenta para sua moqueca, já que este não combina com a torta de maçã, que é tão saborosa. Então dirão que as outras pessoas estão erradas, que são más ou ignorantes... Se essas outras pessoas não estiverem atentas ao que querem ou forem tolas o suficiente para ouvir e se deixar influenciar com os comentários das primeiras, provavelmente deixarão de lado o seu molho de pimenta e renunciarão à sua moqueca de camarão... Esse “elo comum”, essa origem divina comum é quem nos fornece as intuições, as sincronicidades, e, também, o nosso lado sombrio (a Sombra identificada por Carl Gustav Jung, que é comum a todos os seres humanos). Então, a base sobre a qual nossa vida é manifestada e experienciada, como tudo no Universo, tem duas polaridades: bem e mal, negativo e positivo, ativo e passivo, luz e sombra, etc. Quanto maior for o medo e a vergonha que cada pessoa tiver desse seu lado sombrio, tanto maior será o esforço que fará para encobri-lo, negá-lo ou mesmo projetá-lo nas outras pessoas, a quem acusará veementemente. É muito comum encontrarmos pessoas que se incomodam, e muito, com algum comportamento apresentado alguém, sem que esse mesmo comportamento afete outras pessoas. Por que isto acontece? Porque esse comportamento remete a pessoa incomodada para o seu lado sombrio, para a sua imperfeição. Quando tomamos consciência desse nosso lado sombrio, quando admitimos que aspectos negativos fazem parte da nossa personalidade, quando, em vez de negá-los ou escondê-los assumimos a sua existência e os confrontamos, menos estamos sujeitos à sua influência e menos os projetamos nos outros (Aristóteles, grande filósofo grego, dizia que cada pessoa tem dentro de si mesmo um bom estoque daquilo que condena nos outros). A existência nos apresenta infinitas situações de aprendizado, de crescimento, de bem-aventurança, de realização. Tudo conspira para isso, é nosso desígnio -mais cedo ou mais tarde-, chegarmos à destinação final de nossa viagem aqui na Terra, transpondo com sucesso a intensa jornada que se iniciou num ato de amor de nossos pais. As várias fases, as etapas obrigatórias, se sucedem com o decorrer do tempo; estudamos, aprendemos a nos relacionar, a conviver com o meio. Nessa caminhada, às vezes achamos que já vencemos o desafio principal de evoluir como ser humano engajado e consciente. No entanto, mesmo com tanto pensamento positivo, atitudes corretas e amorosas, busca permanente de desenvolvimento, precisamos lembrar de que ainda existe em nosso ser esse lado sombrio, sempre à espreita. É ilusão pensar que nosso lado irracional, escondido em nossa psique, desapareceu como que por encanto, num passe de mágica, somente por acharmos que já somos donos de nossa vida, de nosso destino, que passamos finalmente de fase. Ela, a nossa Sombra, está lá dentro hibernando, aguardando que situações de conflito, frustrações e culpas acordem o ser ainda primitivo que habita em nós. Para que essa força detone nossa calma, nossa harmonia pode bastar uma fechada no trânsito, uma demora em receber um serviço, um não quando esperávamos um sim... Em suma, existe uma enorme quantidade de fatores externos sobre os quais, aparentemente, não temos controle, que pode nos colocar reféns da Sombra. Quando este ser primitivo se faz presente, ao despertar bruscamente sua fúria, o resultado será sempre nefasto e, mesmo que nada de realmente grave tenha ocorrido, afetaremos profundamente a nós mesmos e a quem nos acompanha. Quebraremos uma atmosfera de harmonia, como se fosse a queda de um raio; seguindo-se um silêncio carregado de culpa e arrependimento. O estrago está feito, e nem sempre será possível consertar o que se quebrou. Porém, devemos considerar, também, que estas explosões, em algumas pessoas raras e passageiras, em outras, mais freqüentes e, às vezes, devastadoras, ao revelar traços reais que ainda nos pertencem, sirvam, na realidade, para que ao confrontá-los, possamos nos livrar de sua tirania, mudando mais e mais nosso modo de ser e de viver. Infelizmente, todas as vezes que evitamos um contato mais profundo e honesto, desviando-nos de reconhecer essa parte obscura, nos afastamos do Centro e passamos a nos defender da vida, em vez de viver verdadeiramente, sem o medo da solidão e da rejeição... Há um ditado que diz ser melhor ter um esqueleto (nosso lado obscuro) sentado na sala de estar do que bem escondido dentro de um armário no sótão... Sim, precisamos fazer uma conexão clara com o nosso lado irracional, essa parcela nossa oculta e perigosa que quase todos os habitantes do planeta, conscientemente ou não, em maior ou menor grau, compartilham; um conflito doloroso que vem desde os primórdios e que de pronto faz emergir uma vontade irracional de devastar, de descarregar a raiva, a ira destrutiva. que deve ser compreendida em toda sua extensão, confrontada e enfrentada com coragem e decididamente. No momento em que, atravessando o medo ou a conveniência, não mais precisarmos negar esse nosso aspecto maléfico poderemos lidar de verdade com suas sérias implicações, abandonando os julgamentos que fazemos dos outros, que, como já dissemos acima, Jung chamou de “projeção”.
Créditos: Especial Stum, por Sérgio Stum; O Universo Conspira a seu Favor, por Jerry e Esther Ricks; Além da Luz e da Sombra por Jean-Yves Leloup.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

DANCE PRA MIM


Dance pra mim,
dance e sorria,
e, da cama macia
te transporto pro campo.
Te cubro de céu,
te calço de relva,
e, se o vento te beija,
esse beijo é só meu.

Dance pra mim,
eternize o momento,
bailando ao vento,
saltitando na grama.
Mil beijos te dou,
mil carícias te faço,
e, tomando-te em meus braços,
te transporto pra cama.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PILOTO AUTOMÁTICO Parte II


Relembrando a parte final da postagem anterior:
A nossa personalidade, na ótica da Análise Transacional, compõe-se de aspectos (ou estados de ego), que são:

Aspecto Parental que se subdivide em: Crítico e Nutritivo.
Aspecto Parental Crítico:
Função Positiva: Protetora; Função Negativa: Perseguidora
Aspecto Parental Nutritivo:
Função Positiva: Permissora; Função Negativa: Salvadora

Aspecto Raci
onal:
Função Positiva: Integradora e atualizada; Função Negativa: Contaminada e desatualizada

Aspecto Emocional que se sub-divide em: Livre, Intuitivo, Adaptado e Rebelde.
Aspecto Emocional Livre: Função Positiva: Espontaneidade; Função Negativa: Manipulação
Aspecto Emocional Intuitivo: Função Positiva: Intuição, criatividade; Função Negativa: Superstição
Aspecto Emocional Adaptado: Função Positiva: Adaptação, adequação; Função Negativa: Inadequação, vitimização
Aspecto Emocional Rebelde: Função Positiva: Rebeldia justa; Função Negativa: Rebeldia
sem causa
.

Analisaremos, nesta postagem, o Aspecto Parental:
ASPECTO PARENTAL CRÍTICO:
Será que você conhece alguém que está sempre criticando os outros? Que, quando lhe apresentam algum trabalho seu primeiro impulso é apontar algum defeito? Que está sempre observando o comportamento dos outros para apontar falhas e erros?
Quando é Malus quem está atuando com este aspecto da personalidade, quando está em ação a terrível Função Perseguidora, ele não terá por objetivo resolver um problema nem educar outra pessoa, muito menos, buscar que ela melhore e não cometa mais erros. Seu objetivo real será atemorizar, criticar, desmoralizar, por o outro pra baixo, deixá-lo em efeito o máximo possível.
Provavelmente, quando era criança também o trataram assim, e, para sobreviver, preferiu identificar-se com o seu perseguidor, passando a tratar as outras pessoas como o haviam tratado, em vez de agir como gostaria que tivessem agido com ele. Isto lhe permite justificar-se (em sua fantasia de perseguição não resolvida) para atuar dentro de qualquer situação que esteja vivendo no sentido de estar por cima e colocar os outros para baixo.
Então, a insuportável conduta de Perseguidor levará Malus a ser (ou pelo menos a querer ser) sempre quem tem razão, fazendo-o controlar os outros com o olhar, a manipular pelo medo, logrando assim, com grande esforço, ser um temido tirano, na empresa ou na familia, que sempre estará só, tenso e amargurado.
Esta é uma tática para ocultar sua própria criança interna frágil, temerosa, e fundamentalmente necessitada de aceitação e proteção (realidade em sua infância e fantasia no momento atual).
Malus também pode exercer este aspecto da personalidade sem a necessidade de gritos, sermões, agressões ou ameaças. Ele pode fazê-lo de maneira sutil, elegante, como aquelas pessoas que fazem sentir sua critica de forma constante, encoberta e silenciosa. Quando ele age assim, pertence a casta dos piores, já que é possível que até se vanglorie de jamais ter batido nos filhos, mas tendo conseguido quebrar-lhes a autonomia, uma vez que eles o vêem como um juiz silencioso e implacável, do qual não podem se aproximar sem que se sintam no banco dos réus.
Obviamente, assim como Malus pode dirigir seu Perseguidor para os outros, pode também fazê-lo para dentro, para si mesmo, criticando-se, perseguindo-se, mortificando-se...
Por outro lado, quando é Bônus quem está atuando com este aspecto da personalidade, quando está em ação a Função Protetora, ele o fará frente a uma situação de perigo ou um problema que esteja acontecendo no aqui-e-agora, para proteger a si próprio ou aos outros, dando limites (proteger é também e fundamentalmente dar limites), enquanto Malus o fará em relação a uma situação que já passou (seja ou não de responsabilidade do outro), e que, portanto, já não pode mais ser modificada ou solucionada. Fará, apenas para acusar, perseguir ou desmoralizar o outro.

ASPECTO PARENTAL NUTRITIVO:
Perguntamos novamente: por acaso, você conhece pessoas consideradas maravilhosas, que andam pelo mundo e que, frente a qualquer situação que atravesse outra pessoa, correm para ajudar, para salvar?
Essas pessoas, quando estão atuando com este Aspecto da Personalidade, o fazem através de Malus, pondo em ação a Função Salvadora. É provável que elas não tenham a menor consciência do dano que ocasionam com tão inadequada e ingênua conduta.
É claro que esse problema é agravado porque a sociedade está sempre disposta a aplaudir esta estúpida compulsão de ajudar. Porém, você tem que saber que, na maioria das vezes, quando essas pessoas agem desta maneira e qualquer que seja a justificativa que elas usam para realimentar esta sua forma de relacionar-se com os outros, o único objetivo que as move será criar dependência, insegurança, impotência, demonstrar que são imprescindíveis, não permitindo que o outro cresça e alcance a sua independência. E, sobretudo, tentarão transferir para essa mesma pessoa que elas dizem querer ajudar, seus próprios medos ou problemas não resolvidos, de forma inconsciente, é claro.
Alem disso, quando, por qualquer coisa, seu papel de Salvador está em perigo, elas apelam para a mais formidável de suas armas, que é a culpa, alegando o muito que têm se sacrificado pelos outros, o muito que têm dado sem nada pedir (tempo, sexo, afeto, companhia, dinheiro, etc).
A “salvação” ocorre quando uma pessoa ajuda outra sem que ela peça essa ajuda (a dificuldade real da pessoa pode ser a de pedir ajuda, e quando Malus a ajuda antes que ela peça, a está impedindo de transformar-se, de crescer, a está mantendo sob sua dependência). Ocorre também quando, em sua ajuda, Malus faz tudo pelo outro; pelo menos 50% o outro tem que fazer, sem o que Malus o estará transformando em uma falsa vítima, alimentando a sua dependência.
Quando é Bônus quem está atuando com este aspecto da personalidade, na Função Permissora, é um sinal evidente de que a pessoa quando criança teve a sorte de contar com alguém que foi positivamente permissor com ela. O objetivo básico desta função positiva da personalidade é fomentar a independência, transmitir segurança e confiança, e quando Bônus atua com ela tem a virtude de convencer as pessoas com quem lida, de que elas são capazes de se valer por si mesmas, e também de que, em qualquer situação de real necessidade, podem contar com ele.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

PILOTO AUTOMÁTICO - Parte I


Você já se perguntou como interage com o mundo à sua volta e com as pessoas com quem se relaciona? Como responde a cada estímulo que recebe a cada momento? Como define o que gosta e o que não gosta?
Nós respondemos à grande maioria dos estímulos que o mundo externo nos apresenta, buscando informações da memória, informações que nos definem e aparentemente facilitam as coisas para nós. Digo aparentemente, porque essas respostas são feitas por uma espécie de “piloto automático”, cujas escolhas são baseadas no passado, não tendo, em muitos casos, qualquer relação com o momento presente.
Vou agora utilizar e adaptar um trecho de uma abordagem de Rubia A. Dantés, para melhor clarificar o que pretendo dizer: Parece que já somos tão definidos que nem ousamos estar no aqui-e-agora, para não correr riscos. Quase nunca nos damos a oportunidade de experimentar o presente, porque já respondemos a ele buscando na memória o que supostamente somos. Já temos prontas reações para as muitas situações do dia-a-dia, armazenadas na memória. Agimos, ou melhor, reagimos à vida baseados no nosso sistema de crenças.
Isto acontece porque fomos levados a crer que para sermos aceitos e amados precisaríamos nos adaptar às expectativas dos outros. Aprendemos a nos adaptar à regras que expressavam o que era a verdade para nossos pais, para a sociedade, para as muitas religiões, regras essas que quase nunca levavam em conta a nossa verdadeira natureza.
Esse caminho de nos moldar às expectativas dos outros e ter que seguir padrões, pode nos ser imposto de forma invasiva e agressiva ou pode ser colocado de forma tão sutil que nem percebamos.

É claro que algumas vezes nos rebelamos tentando sair dessa prisão, mas, na maioria das vezes, essa suposta libertação nos levou a ser o oposto daquilo que esperavam de nós, o que também é uma prisão, porque nos distanciou de nossa própria natureza. Quando nos adaptamos para seguir o que esperam de nós ou o seu contrário, ficamos presos ou limitados da mesma maneira, porque a nossa referência vem de fora. Quando seguimos algum modelo predeterminado, isso por si só já nos impede de ser quem somos...

Quem sou eu? Quem são os outros que me rodeiam?

Para responder às questões acima, vamos apresentar, de forma superficial, os conceitos de estrutura e funcionamento da personalidade, na ótica da Análise Transacional, teoria de psicologia e filosofia positiva de vida, criada por Eric Berne.
Vamos fazer essa apresentação através de dois personagens, Bônus e Malus, que são irmãos gêmeos.
Para que algo novo surja ou seja criado faz-se necessário o encontro de duas realidades de naturezas opostas. Por exemplo, para que surja a luz, faz-se necessário o encontro das polaridades positiva e negativa da eletricidade. A história da humanidade, as religiões, as tradições místicas, etc, nos falam dessa dupla polaridade: Céu e inferno, Deus e diabo, Caim e Abel, noite e dia, Yin e Yang, etc. A própria Terra é um exemplo da mesma: Pólo Norte e Pólo Sul. Como não poderia deixar de ser, já que o Universo é caracterizado por essa dupla polaridade, ela está presente no ser humano (corpo e mente, físico e espiritual), assim como na sua personalidade, que aqui representamos por Bônus e Malus – a eterna luta entre o bem e o mal, entre Eros e Thánatos, entre o Bem-estar e a infelicidade.
Bônus e Malus fazem parte de mim, de você, ou de qualquer outra pessoa.

Quem sou eu:

Inicialmente, dizemos que personalidade é a maneira habitual como uma pessoa sente, pensa, fala e atua frente ao meio externo, para satisfazer as suas fomes básicas, as suas necessidades. Pensar e sentir é o nosso comportamento subjetivo, interno, privado; falar e atuar (agir), é o nosso comportamento objetivo, externo, social, observável.
A personalidade tem uma estrutura compreendendo três dimensões ou aspectos, que são:
Aspecto Parental – é o componente aprendido, pela criança, dos pais ou figuras representativas de autoridade (por modelagem ou sugestão); ele é apreendido na medida em que a criança interage com eles ou observa o que dizem ou os seus comportamentos; é o componente moral da personalidade: ele é composto pela moral, tradição, cultura, julgamentos, preconceitos, etc. Uma das funções do Aspecto Parental é a auto-proteção.
Aspecto Racional – é o componente racional da personalidade – aquele que raciocina diante do estímulo recebido, comparando com as informações internas (do Estado Parental ou do Estado Emocional), processando-as, emitindo a partir daí uma resposta. Este aspecto da personalidade é desenvolvido na medida em que a criança vai interagindo com o meio externo (descobrindo o mundo). A principal função do Aspecto Racional é o auto-abastecimento, que é a habilidade para realizar um trabalho, compor uma música, ganhar dinheiro, etc.

Aspecto Emocional – é o componente biológico da personalidade; nascemos com ele. Ele é composto pelos instintos (fome, sede, sexo, etc), pela curiosidade, criatividade, emoções, energia e intuição. A principal função do Aspecto Emocional é a auto-realização.

Esta estrutura (Parental, Racional e Emocional), funciona da seguinte forma:
Inicialmente, o Aspecto Parental se subdivide em: Crítico e Nutritivo.
Aspecto Parental Crítico:
Função Positiva: Protetora; Função Negativa: Perseguidora
Aspecto Parental Nutritivo:
Função Positiva: Permissora; Função Negativa: Salvadora

Aspecto Racional:
Função Positiva: Integradora e atualizada; Função Negativa: Contaminada e desatualizada

O Aspecto Emocional se sub-divide em: Livre, Intuitivo, Adaptado e Rebelde.
Aspecto Emocional Livre: Função Positiva: Espontaneidade; Função Negativa: Manipulação
Aspecto Emocional Intuitivo: Função Positiva: Intuição, criatividade; Função Negativa: Superstição
Aspecto Emocional Adaptado: Função Positiva: Adaptação, adequação; Função Negativa: Inadequação, vitimização
Aspecto Emocional Rebelde: Função Positiva: Rebeldia justa; Função Negativa: Rebeldia
sem causa


Nas próximas postagens vamos aprofundar essa questão, abordando cada uma dessas funções.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O MAR, ELA E EU


Da minha janela aberta olho o mar,
E sinto o seu apelo ao mistério;
Criança sou, não posso ficar sério,
Também não a posso deixar de imaginar:

Nua, de biquine ou mesmo de maiô,
Envolta em volúpia e inocente,
Ela, em êxtase; o mar indiferente;
Eu, cada vez mais, a desejando estou.

Se a Lâmpada de Aladim eu encontrasse,
Se em grande pintor me transformasse,
Eu me pintaria verde-mar, em poucos traços.

A pintaria mergulhando em minhas águas,
Sem queixas, sem culpas e sem mágoas,
Gemendo de prazer entre os meus braços.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A COLHEITA


Vibra todo o universo
e a vida sempre imprime
o seu ciclo incansável
de nascimento e morte;
é um eterno processo
que já no início define:
cada qual é responsável
pelo seu “azar” ou “sorte”.

Nós somos agricultores,
semeando à mancheia
as mais diversas sementes,
na terra que nos couber.
A colheita – risos ou dores
- não depende de lua cheia,
de ser saudável ou doente,
de ser homem ou mulher.

Depende somente daquilo
que na terra colocamos:
o fruto da mangueira é manga,
o da macieira, maçã.
Sem confusão e sem grilo,
aquilo que semeamos
- amor, paciência ou zanga
- colheremos amanhã.

A vida não é roleta,
nem a sorte a gente herda;
também não existe “padrinho”,
nem trapaça ou armação.
A plantação e a colheita,
duas faces da moeda;
é a água e o moinho,
é ação e reação.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

OS TRÊS REIS MAGOS


Três homens, três reis, três magos,
Há mais de mil anos passados,
Cruzaram rios, montanhas e lagos,
Reverenciando o nascimento do Amor, lado-a-lado.

Quanto tempo eles andaram, que distância percorreram ?
Renunciaram à segurança ou do conforto desistiram?
Que perigos enfrentaram, onde dormiram, o que comeram?
Nada disso é importante, pois a meta atingiram.

Com humildade e respeito, entregaram sua oferta:
Mirra, para o homem – assumida a humanidade;
Ouro, para o rei – em sua origem, na certa;
E, incenso, para o Deus – sua real identidade.

Assim fizeram e se foram, sem manchetes nos jornais,
Desapegados, peregrinos, verdadeiros, com certeza,
Legaram para a história, registrando em seus anais,
Esse gesto de adoração, de humildade e de beleza.

Outros homens repetiram, três ou quatro, certamente,
Esse gesto tão sublime de adorar ao Deus-Amor.
Mas seu feito se perdeu no tempo de nossa mente,
Que só quer curtir a vida, sem trabalho e sem suor.

Hoje em dia, não sabemos como achar esse Menino,
Que fala de Paz e Amor e cura todas as feridas.
Por isso, nós adoramos cinema, igreja e TV,
E a árvore enfeitada de bolinhas coloridas.

domingo, 14 de dezembro de 2008

DESEJOS


Quero a lua cheia, bem bonita,
quero um jardim bem perfumado e belo.
Quero um parapeito e a mais bonita vista,
uma brisa bem suave refrescando a noite, quero.

Quero vaga-lumes piscando aqui e ali,
quero ver no mar um reflexo prateado.
Quero, em céu azul, mil estrelas a luzir,
quero o vinho mais gostoso e perfumado.

Quero me sentir um verdadeiro atleta,
vestir o meu rosto com sorriso de poeta,
para viver a aventura tanto desejada.

Levo a minha boca derramando beijos,
o meu corpo transbordando de desejos,
e todo o meu amor para minha namorada.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

EMBRIAGUEZ


Há sensualidade
em teu olhar,
em tua boca bonita,
em tua tez suave e linda.

Em teu corpo há o vinho mais ardente,
em tua boca uma taça perfumada.
Bebendo, vou querer-te novamente,
minha embriaguez está em ti.

Mesmo sem beber-te me embriago,
sonho em beber-te trago à trago,
o desejo de beber-te está em mim.
Poesia do livro BUSCAS de Sandoval Barretto - Editora Papel Virtual

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BRINDES


Brindo ao homem que acorda cedo,
se veste de coragem e determinação,
para enfrentar o ônibus cheio, o engarrafamento,
o receio de chegar atrasado e perder o emprego,
a labuta diária, a pequenez do “grande chefe”,
e à noite se veste de carinho e afeto
para dançar com a esposa e os filhos,
o louvor por mais um dia de vida.

Brindo à mulher, heroína anônima,
que, por cima da roupa de esposa e mãe,
também veste a de operária, de passageira,
de paciente, de temerosa e às vezes aflita;
que defende seu espaço e sua dignidade;
que humilde, não se deixa humilhar;
que consegue gerar energia,
após duas ou mais jornadas,
para vestir-se de festa e comemorar
o aniversário da amiga ou fazer o filho adormecer,
viajando estórias.

Brindo ao meu povo, o povo brasileiro,
(a grande maioria) sofrido, sem escola,
sem saúde, sem casa, sem dinheiro,
acalentando sonhos, cavalgando a esperança
de dias melhores.
Brindo para que ele - como uns poucos o fazem
perceba que tem poder de se unir e lutar
para construir sua própria realidade
e realizar seus sonhos,
em vez de esperar passivamente que isto aconteça,
enquanto vai trocando voto por sapato,
sangue por pão e circo.

Brindo às crianças – filhas do futuro
e reflexo daquilo que somos.
Brindo para que elas apanhem
na mesa que lhes servimos,
a coragem, a determinação,
a ética e a solidariedade,
lá deixando nosso egoísmo,
manipulações, desonestidade e ignorância.
Brindo para que elas
saibam voar muito mais alto
do que jamais pensamos ousar.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

HABILIDADES


Habilidade é a capacidade treinada de alguém conseguir atingir com êxito um determinado objetivo.
Isto significa que toda habilidade no ser humano é produto de um aprendizado, e, portanto, adquirido somente através da experiência.
Significa, também, que pode ser a capacidade de deixar de fazer algo com sucesso, de fracassar, por ser esse o objetivo.
Uma pessoa pode ter habilidade para entrar lentamente em uma depressão; para ter total incapacidade de ganhar dinheiro, ou; para não conseguir manter uma relação que funcione.
Um indivíduo do tipo fracassado tem grande habilidade em fazer com que as coisas não funcionem. Quando sentimos pena e pensamos que ele não teve opções na vida, corremos o risco de entrar no campo de sua influência e nos colocarmos em efeito das desgraças que lhe acontecem.
Se olharmos atentamente à nossa volta, encontraremos pessoas que, em diferentes graus, acreditam que devem ser ajudadas em seus dramáticos e gigantescos problemas. Situam-se em um nível inferior, não se dispõem à mudanças e pressionam os outros para que as ajudem a qualquer custo, solicitando companhia, necessitando de dinheiro ou manifestando doenças.
Esse nível em que estas pessoas se situam é o nível do DEVEM CONTRIBUIR COMIGO, e, quem aí se coloca tem um controle energético poderoso: maneja sua decisão de não mudar e levam as pessoas com as quais se relacionam a se sentirem na obrigação de ajudar, queiram ou não, mesmo quando já tenham prometido a si mesmas ter sido “aquela a última vez”.
Elas se colocam no fundo do poço para exercer esse poder de não fazer qualquer mudança. De onde estão, começam a impor a amigos e companheiros que as banquem como estão.
O “brejo emocional” onde se encontram suga toda a energia à sua volta, sem dar nada em troca, e, por mais que as pessoas usem de força e afeto para tirá-las desse lugar, nada conseguem, nada mudam.
Quando alguém desce à esse nível, relaciona-se com os demais de tal forma, que estes não têm outra opção que aceitar seus poderosos “não me exijam”, “não me amolem”, “não me falem nada”, “nada posso fazer”, “devem aceitar-me como sou”, “faça por mim porque você pode e eu não”, enquanto assumem a responsabilidade de continuar “tentando” movê-lo.
A total incapacidade para dar, aliada à uma incansável capacidade de tragar a energia em volta, tem poder sobre a realidade e destrói qualquer possibilidade de comunicação e mudança.
Quando nos quedamos submetidos à rede de influências de alguém assim, estamos nos relacionando através de uma simbiose patológica, onde assumimos o papel de PROVEDOR e ele de RECEPTOR.
O RECEPTOR atua de forma colinérgica, anabólica e introjetiva. Isto quer dizer que ele atua de forma passiva, nutrindo-se, construindo-se, fortalecendo-se, enquanto o PROVEDOR atua de forma adrenérgica, catabólica e projetiva, esvaziando-se, enfraquecendo-se, “queimando-se” nesse processo de transferir sua energia para o outro.
Nesse processo, a pessoa que mais sofre, que mais se queixa, que mais protesta, que tem maior debilidade, termina destruindo aquela que aparentemente é mais forte, mais saudável e mais capaz.
Daí, podemos perceber que o PROVEDOR está pondo em risco o seu território, sendo imperiosamente necessário que saiba defender-se, pondo limites e evitando colocar-se como cúmplice ou sob as influências dos manejos do RECEPTOR, sem deixar de se interessar pelo outro e pelos problemas do outro.

(Texto constante do livro Ecologia Humana nos Relacionamentos de Sandoval Barretto - Editora Biblioteca 24x7).

TER QUE TER RAZÃO


No processo de comunicação, quer na área organizacional, educacional, familiar ou de casal, o fenômeno TER RAZÃO é o fator de maior destrutividade e se constitui numa das grandes catástrofes na existência dos homens.
Quando percebemos que duas pessoas estão lenta e determinadamente destruindo a sua relação, que todo afeto, carinho e reconhecimento começou a se quebrar, podemos imaginar que o TER RAZÃO está destruindo a comunicação dessas pessoas.
Para melhor compreender isto, temos que entender que o TER RAZÃO pode ser de dois tipos:
1 - A pessoa acredita que tem razão sem realmente ter;
2 - A pessoa acredita que tem razão e realmente tem.
Para o processo de destruição da comunicação é secundário que a pessoa tenha ou não razão. O prioritário é que ela exerça o TER RAZÃO para obrigar o outro a submeter-se à razão que ela tem.
Também não é suficiente que ela apenas pense que tem razão, é necessário que o outro aceite a sua razão.
TER RAZÃO dá à pessoa o poder para que ela se imponha sobre as demais..
Quando uma pessoa se relaciona através do TER RAZÃO, procura permanentemente mostrar as falhas (reais ou inexistentes) do outro, de forma a gerar nele a insegurança.
A pessoa que assume o lugar do “incorreto”, normalmente, reage de acordo com a seguinte sequência:
Primeiro, se submete;
Depois, sente raiva;
Depois reage; e.
Por último, faz ocultamentos (oculta o que pensa, sente e faz).
É bastante comum e destrutivo, numa relação deste tipo, a pessoa que ocupa o lugar do “correto” dizer: ”Viu como eu tinha razão?!”; “Bem que eu lhe avisei!”; “Eu lhe disse!”.
Quando uma pessoa tem necessidade de TER QUE TER RAZÃO, a compulsão de exigir que o outro se submeta é praticamente arrasadora.
As mulheres fazem com os homens; os homens com as mulheres; os pais com os filhos; os educadores com os educandos; os chefes com os subordinados; a secretária com o chefe, etc.
Ao se investir nisto, somente se consegue que o outro perca a sua habilidade, a sua eficiência, pois, durante o tempo todo ele estará sendo levado a reconhecer a sua falha e a se submeter, seguindo daí a sequência acima.
O TER QUE TER RAZÃO destroi organizações (familiares ou de trabalho). Um lider que não permite aos seus liderados ocuparem o lugar do “correto”, está rompendo a fidelidade e a credibilidade do grupo, e, isto leva os participantes a ocultar, a não dar todas as informações, a guardar as informações para si mesmos, a mentir, porque passam a viver o contexto de uma relação paranoide.
Diante do exposto, podemos nos dar conta de que o TER RAZÃO é uma desnecessária exigência que não produz soluções construtivas e que o TER QUE TER RAZÃO é uma maneira destrutiva de submeter o outro, sendo absolutamente secundário, sem qualquer importância, o fato de se ter ou não razão.

De alguma forma o TER QUE TER RAZÃO anula ou evita o contato com o outro, e, o relacionamento atinge seu nível mais baixo quando as pessoas discutem RAZÃO.
A catástrofe se torna maior quando alguém pensa que está errado (ocupa o lugar do “incorreto”). Se pensa assim, significa que a pessoa que tem razão tem poder sobre ele. E, quanto mais RAZÃO tiver essa pessoa, mais equivocado estará o outro. Quanto mais equivocado, menos direito terá; menor capacidade de reação; mais inadequação; maior comprometimento e incapacitação no seu “fazer”.
Daí, ser importante que você possa se dar conta de que, se está numa relação deste modelo, você está em real perigo mental ou emocional.
Uma maneira eficaz de se lidar com uma pessoa que quer ter sempre razão, é dar-lhe razão sem se submeter, sem ocupar o lugar do “incorreto”, recusando, a partir daí e sem a necessidade de ser explícito, o propósito da discussão.

(texto constante do livro Ecologia Humana nos Relacionamentos de Sandoval Barretto - Editora Biblioteca 24x7)

Leão do Nordeste





Senhora dos ares, majestade alada,
empresta-me tuas asas, meu motivo é forte.
Dá-me o teu vôo, amiga emplumada,
cede-me teu olhar; bafeje-me a sorte.

Vejo lá embaixo um calor intenso,
a terra rachada, em feridas mil;
qual costas de escravo: sofrimento imenso,
como racha os lábios no corpo febril.
Então, me pergunto, que lugar é este,
que erma paisagem do Sul ou do Leste,
diz, Senhora Águia, é isto Brasil ?

Vejo um ser humano, arrastando os pés,
miserável adorno em maldito chão.
Magro, derrotado, da sorte o revés,
sem eira nem beira, sem tostão nem pão.
Não leva o direito de esperanças ter,
leva a teimosia de querer viver,
ainda em seu peito bate um coração.

Deixa atrás de si a mulher e os filhos,
a cuia, a farinha, uns feijões, oh! céus!
Leva o desespero; nos olhos o brilho,
move-lhe a missão de salvar os seus.
Que lugar é este, que miséria atroz,
repete-se o escravo; ressuscita o algoz,
que Brasil é este, diga-me oh! Deus !

Senhora dos ares, majestade alada,
empresta-me tuas asas, meu motivo é forte.
Dá-me o teu vôo, amiga emplumada,
cede-me teu olhar; bafeje-me a sorte

Vejo uma cidade, imensa, bonita,
cercada de mar e de montanhas, creia.
Mulher vaidosa; seduz quem a fita,
cantada ao sol e à lua cheia.
Vejo edifícios luxuosos, belos,
piscinas azuis, louros anelos,
e o vinho mais fino a mente incendeia.
Da Grécia, imagino, tal a formosura,
no Monte Olimpo, dos deuses morada.
Vejo deuses lindos, de corpos perfeitos,
das mais lindas deusas, escolhem a amada.
Carros luxuosos, sonhos de verão,
restaurantes chiques, lagosta, salmão;
terra prometida, visão tão sonhada.

Rio de Janeiro ou até dezembro,
do samba enredo, carioca feito.
Alegria e festa; pelo que me lembro,
Cidade imortal, de malandro jeito.
Da mulata linda, curtida ao sol,
do Maracanã, templo-futebol,
tantos monumentos, tudo tão perfeito.

Senhora dos ares, majestade alada,
empresta-me tuas asas, meu motivo é forte.
Dá-me o teu vôo, amiga emplumada,
cede-me teu olhar; bafeje-me a sorte.

Um ônibus cortando o asfalto liso,
larga na estação, um rebanho peco,
maltrapilho, sujo, à dormir no piso,
embaixo à marquise, viaduto ou beco.
O olhar febril, trêmula a mão,
busca o alimento nos restos do chão,
nada de esperanças nesse corpo seco.

Levanta-te Jó, tens de trabalhar!
Não dês chance à morte que espreita os teus.
Não terás enxada, foice ou roçar,
busque Putifar, procure Zaqueu.
Trabalho não encontra, não lhe dão o pão,
ruge, então, no peito a revolução,
já lhe move o fogo, deu-lhe Prometeu.

Já não pede, toma; já não fala, ruge;
já não pensa, age como um furacão.
Sempre de surpresa, lá das sombras surge,
roubando, matando, rugindo o leão.
Já perdeu o vínculo da terra distante,
já não lembra os seus, nem por um instante,
nem é mesmo Jó, é só Lampião.

Senhora dos ares, majestade alada,
empresta-me tuas asas, meu motivo é forte.
Dá-me o teu vôo, amiga emplumada,
cede-me teu olhar; bafeje-me a sorte

Muitos cá trabalham, beijou-lhes a sorte,
já têm um salário - mal dá pra comer.
Mas, dividem o pouco: enviam pro Norte,
Pra aqueles que ainda recusam morrer.
Daqui surgem outros, forjados no não,
e, também, como Jó, viram Lampião,
e muitos mais ainda estão a nascer.

Paulistas de Asgard! Cariocas do Olimpo!
Deuses de Brasília! Detenham os risos!
Quebrai os espelhos, vede mais além,
além do umbigo dos vossos Narcisos!
Que Hércules abra agora os canais!
Que a fome não deixe este povo incapaz!
Quantos Lampiões mais serão precisos ?



(poesia do livro Buscas de Sandoval Barretto - Editora Papel Virtual)

A Você


Teus olhos, que olhos,
como sabem ver.
Como sabem mostrar,
quanta coisa há em ti
que eu quero ter.

Tuas mãos, como sonho
com carinhos que elas
me sabem fazer.
Senti-las macias
em mim, nos meus dias,
que mais vou querer ?

Tua boca pequena,
vezes por vezes
me fez delirar.
É minha tortura
essa coisa pura
que me faz pecar.

O teu corpo esguio,
nas tuas curvas derrapo
a todo momento.
Deslizando a mão,
junto o meu coração
e todo o meu sentimento.

Teu sorriso procuro,
se o encontro, me perco,
sem saber o porque.
Na verdade, te digo,
estando longe ou contigo,
sou doidinho por você.
(poesia do livro Buscas de Sandoval Barretto - Editora Pepal Virtual)

Quem Sou Eu


Sou sol, sou alegria, sou beleza e calor,
sou exuberância e plenitude.
Eu sou vida, eu sou luz, sou poesia e amor,
Sou paz, harmonia, esperança e quietude.

Sou choro e ranger de dentes,
sou raiva que explode e mata;
sou pecado, sou quem mente,
sou quem fere e maltrata.

Sou tristeza, solidão,
sou angústia, depressão,
eu sou sofrimento e dor.
Sou vazio, inexistência,
sou culpa, sou penitência,
sou frustração, dissabor.

Sou embriaguez, sou o vinho,
sou explosão, sou carinho,
sou volúpia, paixão sou.
Arrebato, sou desejo,
sou corpo-a-corpo, sou beijo,
sou vibração, sou o gol.

Sou poeta, sou ternura,
sou criança, sou candura,
sou maldade e maldição.
Corro, paro, rio, choro,
tenho pressa e demoro,
sou certinho e contramão.

Sou o bem onde me banho,
sou o mal de igual tamanho,
eu tenho fé, sou ateu.
Sou impotente e capaz,
sou tudo isso e sou mais,
eu sou um homem, eu sou eu.

(poesia do livro Buscas - Editora Papel Virtual)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Procura-se um Matador



Procura-se um matador eficiente,
Que tenha boa estocada e tiro certeiro,
Que encare de frente o oponente,
Que não seja covarde ou traiçoeiro.
Que mate de forma rápida e indolor,
Que não se venda por nenhum valor,
Que tenha a mão forte e o pé ligeiro.

Para matar a saudade do amigo, que a vida
As vezes esconde da nossa visão;
Pra matar, da “coisa” não correspondida,
Não a pessoa, somente a paixão.
Para matar o beijo nunca roubado,
Para matar o desejo que foi sufocado,
Matar o sofrimento, o eterno vilão...

Matar a grande fome de alimentos
Que para muitos de nós tem sido fatal.
Para matar o ódio e outros sentimentos
Que nos aprisionam às correntes do mal.
Para matar, não a ambição, somente a ganância,
Que tem desencadeado tanta violência,
E tanto desequilíbrio social.

Para extirpar da Terra a própria violência,
Irmã, de verdade, do egoísmo doentio,
Resultante, por certo, da grande demência
- A onipotência - maior delírio da mente febril.
Para inaugurar a era do Amor,
Não para o machado; sim para a flor,
Nas outras nações e também no Brasil.